...
Talvez se afogue
em papel amarelado,
pelas traças roído,
pela tinta envenenado,
em alergias corroído ?
Talvez se estrangule
nos lençóis de pano pardo,
áspero e velho, fardo
coberto do cheiro acre
aromas de corpo amargo?
Ou talvez cegue
nas luzes fulgentes
dessas cores pungentes,
perfurando os olhos - da mente,
a sobrar sangue seco nas órbitas?
Quem sabe sufoque
no ar viciado, no calor
dessa escuridão, insuportável
em seu confortável torpor
a abafar um sofrido clamor?
Provável que pereça
à beleza que escapa à tela
e expõe-se oposta à janela,
encurralando uma inerte figura,
morta pelo deleite da clausura...
13/1/2008 (por cima de um rascunho de um ano atrás)
On January 13 2008
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