"No dia seguinte voltamos ao Cairo. A srta. Seymour explicou a meu pai o que aconteceu e pediu permissão a ele para me levar à tal escavação arqueológica no Vale dos Reis, dirigida pelo inglês Howard Carter. Pelo que fiquei sabendo depois, meus pais tinham ficado preocupadíssimos com nossa noite fora dormindo ao pé das grandes pirâmides, na planície de Gizé mas o fato da minha tutora estar sempre comigo deixou-os mais confiantes e evitou que mobilizassem toda a força policial egípcia em nossa busca. A srta. Seymour contou a meu pai sobre Ned Lawrence, o quão brilhante era ele e o quanto ele admirava os livros de meu pai. Tudo isso fez com que o bom e velho professor Henry Jones desse um veredicto favorável à nossa empreitada. Minha primeira empreitada arqueológica, pra dizer a verdade.
Ele e minha mãe chamaram-me para o escritório, e eu, sem nada saber que tudo já estava decidido, implorei para que ele nos deixasse ir ao Vale dos Reis. Com o costumeiro ar severo, porém sempre amável, meu querido pai me entregou um caderno grosso de couro com uma íbis gravada na capa e me disse para anotar tudo de importante que visse, ouvisse e aprendesse. E que jamais deixasse os estudos de lado. Recebi aquele presente das mãos dele como se fosse a coisa mais preciosa e especial do mundo. E era mesmo! Aquele diário de capa de couro e centenas de páginas em branco marcou o começo das minha extraordinárias aventuras através do mundo. Parado ali, diante dos meus pais, ansioso para descobrir exatamente o que era uma escavação arqueológica na prática, eu mal via a hora de encher aquelas páginas com a então futura e inescrutável história da minha vida." (Henry Jones Jr.)
On May 16 2004
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