50 anos
Hoje me vejo lembrando de muitas coisas. Neste dia Renato Russo faria 50 anos. Eu não achei nenhum 3 x 4 do que eu era qdo ele morreu, mas digo que fiquei tão baqueada que parecia sentir a dor da morte de alguém da família. Tinha umas ideias de entrevistá-lo. Isso antes do Renato ficar doente. Queria saber o que se passava na cabeça dele que batia tanto com coisas que eu matutava. Aí, o Renato Russo ficou doente e essa possibilidade se esvaneceu. Com sua morte, restou-me escrever um texto em que afirmava que um dia eu o encontraria e, então, talvez, pudéssemos conversar. Ok, piegas. Verdade. Só que era meu sentimento sincero.
Esse texto eu ainda tenho. Guardado em algum caderno, num papel dobrado, meio escondido. Não é que tenha vergonha dele. Não. É que a carta foi escrita de fato para o Renato.
Legião Urbana era tão importante para mim que fiz um esforço danado para ver o show da banda no Parque Anctartica (o estádio do Palmeiras) nos idos de ... sei lá. Pesquisem no Google se estiverem interessados. Estou escrevendo de bate pronto.
Mas para esse show eu comprei ingresso para mim, para o meu irmão mais velho e para minha irmã do meio. Eu trabalhava na Folha, creio. Bem, fomos os três fazer a fila para entrar. Surpresa. Ela dava volta no quarteirão e se a gente fosse para o final, não daria p/ pegar o começo do show. Meu irmão não teve dúvida. Ele nos empurrou para o meio da fila, numa brecha que surgiu qdo deu uma pequena confusão c/ a polícia (acho). Ouvi alguém reclamar. Não era certo mesmo. Naquela hora me encolhi. Não me recordo se quis protestar c/ meu irmão. Não dava tempo. Nem valeria a pena. A fila andava.
Então, de repente, estávamos na entrada, com uns homens truculentos pegando os ingressos das mãos das pessoas e conferindo com uma lanterna de luz negra. Entregamos nossos bilhetes. "Falso. Falso. Falso", disse o homem de terno preto. E ele nos empurrou para o lado, despachando-nos. Aquilo me deu um tilt na hora. Falso?! Eu tinha comprado de cambista na frente da bilheteria - e isso no meio da semana. Os ingressos tinham acabado e o moço que se aproximara estava bem na cara dos funcionários da bilheteria. Ingenuamente acreditei que eram verdadeiros.
Bem, eu e meus irmãos fomos empurrados para o canto para que fôssemos embora com nossos ingressos falsos. Eu não queria acreditar. E agora? Fiquei sem ação. Mas minha irmã, a Lu, foi muito rápida no raciocínio. Percebeu que, de fato, ninguém se importava c/ a gente. A fila era tão grande que os homens da organização só queriam enfiar o povo - com ingresso de verdade - para dentro do estádio. O resto que se danasse. Então, a Lu me pegou pela mão e chamou meu irmão: "Ninguém está olhando para a gente" e me fez correr junto com ela para o portão do estádio. Um milagre. Entramos. Corremos. O show estava para começar. Paramos em outros seguranças. Uma segunda barreira?! Pensei que agora, sim, estávamos ferrados.
- Ingressos - ordenou a mulher.
Entregamos os três que estavam apertados na mão. Tive medo da lanterninha. E se fôssemos barrados? E se a farsa fosse descoberta? Eu sou muito bundona...
A mulher não tinha lanterninha nenhuma. Disse "podem passar". E corremos. Avançamos pelo estádio e chegamos numa posição boa. Dava para ver o palco, embora não estivéssemos na turma do gargarejo. A gente mal se ajeitou num lugar e a banda entrou. Finalmente, eu via Renato Russo. Ele cantou, falou, conversou, fez críticas, dançou, interagiu com o público. Eu nem acreditava. Depois de tanta tensão, estava lá. Nem conhecia todas as músicas (o álbum mais recente eu não tinha). Mas sabia de cor as canções do primeiro disco, que meu irmão tinha ganhado num concurso de rádio quando ninguém conhecia Legião Urbana. E sabia outras. Cantei junto. Foi minha redenção.
Adoro Legião Urbana. Nenhuma outra banda brasileira atingiu o status que eles ocuparam no meu coração (de novo, a pieguice). Acho que nenhuma ocupará. Nunca mais haverá um Renato Russo. Como ele nascem poucos. Não sei se é exagero de fã. Desconfio mesmo que seja verdade.
Enfim, estou lembrando de muitas coisas. E sinto uma certa saudade. Escolher uma música é difícil. Ficarei c/ uma do primeiro álbum, nos primeiros dias em que ouvi Legião Urbana. Sentia que essa canção, que colocarei abaixo, era especial. Tinha uma nota triste, mas havia lá no fundo algo p/ inspirar. E eu pensei num filme, que ficou na imaginação. Aliás, várias músicas cantadas pelo Renato Russo me fazem pensar em filme (não, não escolherei a canção "Vamos fazer um filme")
Por enquanto:
[i]Mudaram as estações
E nada mudou
Mas eu sei
Que alguma coisa aconteceu
Está tudo assim tão diferente
Se lembra qdo a gente
Chegou um dia a acreditar
Que tudo era p/ sempre
Sem saber
Que o p/ sempre
Sempre acaba
Mas nada vai
Conseguir mudar o que ficou
Qdo penso em alguém
Só penso em você
E aí então estamos bem
Mesmo c/ tantos motivos
P/ deixar tudo como está
E nem desistir, nem tentar
Agora tan
On March 27 2010
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