Rock e Nostalgia
Acordei um pouco inspirado e lembrei da minha extinta banda, lembrei de várias coisas que passamos juntos, abaixo deixo um pequeno resumo de como foi os 5 anos da banda.
Em janeiro de 2004, numa varanda de uma cidadezinha próximo a Brasília, sete garotos se encontravam com seus violões para montar o que seria a primeira formação de uma banda, que inicialmente não tinha nome pois, na verdade era apenas um grupo formado com intuito de gravar umas músicas para um amigo. Após ensaios desastrosos e uma gravação catastrófica, ficamos entusiasmados e nada poderia ser melhor do que um show de despedida dos amigos, veio o primeiro show, depois o segundo e depois vários outros, o que nos interrogou sobre o que nós éramos, “caracas, nós somos uma banda?”.
O nome Casa7 nada tem a ver com misticismo ou outras histórias que contamos, casa7 éra porque éramos sete pessoas (3 guitarras, 1 baixo, 1 bateria, 1 vocal e 1 back) e ensaiávamos na casa do honroso PH que era o batera, mas antes de ser casa7 fomos muitos nomes, o mais significativo deles foi Elemento Surpresa, mas durou muito pouco, na verdade foi apenas para aquela primeira gravação catastrófica.
Com muita força de vontade e animação a Casa7 ganhava os palcos Valparaisenses, muitas vezes toscos e mal organizado mas ainda assim conquistando além dos amigos, alguns admiradores, graças a isso conseguimos ultrapassar muitas dificuldades e crescermos como uma bandinha da cidade.
Por necessidade de fazer a cena do rock em Valparaiso crescer foi criado um evento social, o Rock in Férias, que durou quatro edições e deu um grande solavanco na cena que antes era dominada apenas por shows de metal. Muitas foram nossas apresentações na cidade, desde festa da primavera até encontro de motociclistas, o rock não podia parar.
Por uma questão logística não podíamos mais continuar a ser os sete e por inúmeros motivos alguns membros iam saindo da banda, a banda ficou com cinco integrantes, igual a uma formação de banda de rock padrão. As coisas fluíram melhor e mais sensatas, agora éramos uma banda com cara de banda, e no final de 2004 fizemos a primeira gravação de ensaio “ouvível” e menos trash.
2005 foi um ano de crescimento, amadurecemos em letras, arranjos e musicalidade, éramos amigos e isso permitiu uma maior confiança entre nós. Após muitos ensaios e muita energia conseguimos chegar a nossa primeira gravação, não era perfeita mas ajudou a nos posicionar como banda, agente sabia que o ouro do rock estava em Brasília, tivemos que freqüentar a cena e correr atrás de espaço, e corremos mesmo, pois na primeira vez que fomos em um show no plano piloto nos perdemos e fomos perseguidos por rotwaillers, quem disse o endereço correto foi um vigia de carro caído bêbado no chão “o rock ta rolando bem ali oh”, e assim começamos a freqüentar os points do rock brasilense.
Graças à amizades conquistadas e a energia mostrada no palco, fomos sempre bem recebidos nos shows feitos em Brasília, conseguimos espaços em shows com bandas importantes do circuito independente, hoje algumas delas já nem existem mais, outras estão estourando nas rádios.,
2007 talvez tenha sido mesmo o ano da Casa7, foram muitos shows importantes e de retorno inesperado, o que resultou a gravação de um dvd e muitas amizades que serão valiosas por toda a vida, a nossa energia estava a mil, show direto, muita gente curtindo e dançando ao bom som de nossas musicas enérgicas, mas o futuro é imprevisível e todo mundo cresce e amadurece de um jeito ou de outro, e quando você tem uma banda nesse momento ela corre o grande risco de rodar da sua lista de prioridades, talvez o tempo tenha feito todo mundo crescer, não que isso seja ruim mas infelizmente a vida adulta nos chama e obriga a gente a fazer escolhas desnecessárias.
Talvez o que move o mundo do rock seja o mesmo que mova o mundo das artes, não é força de vontade mas sim persistência, é isso que traz a retribuição futura, mesmo que demorada ou nuca alcançada mas sabe-se que quem persiste alcança. Se tivéssemos apenas um pouco mais de persistência, concerteza hoje estaríamos num patamar ainda sonhado por muitos, mas essa é a vida que muda e transforma todos os sonhos.
Penso em tudo que vivemos em 5 anos de banda e lembro de muitos momentos bons, de shows que atrasavam, de falta de gasolina pra ir, de pedir cabos e pratos emprestados; Por tudo que vivemos, fecho em uma frase FOI BOM PRA CARALHO.
Thiago Maroca
Tentando ser persistente na vida.
On January 06 2011
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